InforBanca 137 - IFB

InforBanca 137

Caros leitores,

O que hoje estamos a viver seria, há pouco tempo atrás, inimaginável. As previsões e os cenários parecem ter um alcance cada vez mais curto. Temos, pois, de encarar as metamorfoses e as ruturas que se vão operando, procurando sempre transformarmo-nos, adaptando-nos à variabilidade dos contextos em que nos movemos. Este foi o fio condutor da construção desta revista. 

Os eventos climáticos extremos, que marcaram recentemente o território português, tornaram mais premente a evolução do sector segurador para assumir um papel ativo na gestão dos riscos de longo prazo que ameaçam pessoas, empresas e o próprio crescimento económico. Situação semelhante verifica‑se na poupança para a reforma, insuficiente face ao envelhecimento demográfico, e nos riscos cibernéticos, onde a velocidade a que se materializam as ameaças ultrapassa a capacidade de prevenção e a correspondente cobertura. Em todos estes domínios, a resposta passa por soluções sistémicas e integradas, assentes na partilha de responsabilidades entre cidadãos, empresas, seguradoras, resseguradoras e Estado. Gabriel Bernardino, Presidente da ASF, brinda-nos com um artigo de antevisão, no qual equaciona como o sector segurador será parte da solução.

Já na entrevista que fiz a Peter Nathanial e Ludo Van der Heyden, fica patente a sugestão de um modelo de governance, eficientemente assistido por IA, assente na articulação de cinco dimensões interdependentes: propósito, informação, tempo, capacidade de ação e gestão emocional. Neste enquadramento, a inteligência artificial surge como um excelente catalisador de melhores condições de governação, sendo descartada a possibilidade de poder substituir a responsabilidade humana.

Num artigo “fora da caixa”, Francisco Roque de Pinho mostra como o trabalho de equipa, a comunicação, a resiliência e a gestão de risco são competências essenciais no surf de ondas grandes. Como empresário, faz os paralelismos entre a nossa atividade profissional e o surf de ondas grandes mostrando que, nos dias de incerteza que correm, a semelhança no cotexto da tomada de decisões é enorme. Esta analogia está atualmente mais vincada, perante a inevitabilidade que constantemente nos surge para surfar grandes ondas, isto é, mudanças de grande dimensão, rápidas, complexas e muitas vezes imprevisíveis.

Por seu turno, Paula Paixão Senra apresenta a forma como a Psicologia Positiva se afirma como um instrumento estratégico a nível organizacional. No seu artigo esclarece como confiança, propósito e cultura positiva têm impacto mensurável na performance individual e das instituições, na atração e retenção de talento e na sustentabilidade organizacional e reputacional. Desafia o sector bancário Português a consolidar a Psicologia Positiva, liderando uma alteração que será estratégica, em especial face ao contexto de incerteza que vivemos.

Adicionalmente, o compliance digital afirma-se hoje na Banca como algo fundamental em termos de governance, constituindo um elemento essencial na gestão da transformação tecnológica e da confiança no sistema bancário. João Luz Soares analisa este tema, em especial no enquadramento do AI Act, identificando que o principal desafio das instituições será não apenas o estrito cumprimento do normativo, mas a sua conversão num modelo de governação mais robusto e operacional. 

Dado que desenvolver conhecimento financeiro desde a juventude é essencial para promover escolhas responsáveis, prevenir riscos futuros e reforçar a confiança no sistema financeiro, o European Money Quiz assume uma relevância particular. Sendo esta uma das atividades desenvolvidas pela APB no domínio da Literacia Financeira, Rita Machado mostra, no seu artigo, a importância deste tema. 

A rubrica O Sector Bancário num Minuto do Centro de Estudos e Publicações da APB mantem o seu papel essencial ao tornar acessíveis, de forma clara e infográfica, os principais indicadores do sector bancário. A visão e o entendimento do contexto e da sua evolução são aspetos essenciais para quem está ligado a este sector.

Desejo-lhe boas leituras, esperando que, em cada artigo, possa identificar oportunidades de transformação e que, com coragem, as possa concretizar.

 

António Neto da Silva
CEO do IFB